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Arquiteta Mariam Issoufou Kamara é eleita a projetista do Bët-bi

A arquiteta nigeriana já idealizou e construiu outro ambiente cultural, que chegou a ser premiado: o Ateliê Masōmī (Foto: ateliê masōmī/Reprodução)

Texto: Naíza Ximenes

25/05/2022 | 15:48 — Conhecida por aprimorar as condições de vida de comunidades rurais senegalesas através da arquitetura e do design, a Fundação Josef e Anni Albers, em parceria com a Le Korsa, irá construir um museu e centro cultural no sudoeste do Senegal, o Bët-bi.

A colaboração elegeu a arquiteta nigeriana Mariam Issoufou Kamara para comandar o projeto. Ela já idealizou e construiu, em 2014, um espaço público, cultural, residencial, comercial e urbano altamente premiado, batizado de Ateliê Masōmī — e agora assume a concepção de mais uma proposta. 

O Bët-bi será um museu de última geração, que ficará próximo a monumentos gigantescos nas proximidades da cidade histórica de Kaolack. O ambiente da construção, conhecido por seus antigos elementos de pedra, abriga quatro sítios listados como Patrimônio Mundial da Unesco. 

Serão mil metros quadrados que hospedarão espaços para exposições e eventos, salas comunitárias, biblioteca projetada para ser um lugar comum acessível e um ambiente aberto e inclusivo para todos os visitantes.

Apesar da modernidade, o projeto do edifício não abandona suas raízes. O Bët-bi — que significa "o olho" em Wolof — tem uma concepção invariável: a combinação entre o design do edifício e o cenário artístico da África Ocidental. Outro conceito presente na construção da ideia é a inspiração nas pessoas que moram e trabalham na região desde o século XI, e são conhecidas por sua conexão espiritual com a terra e elementos naturais como sol, vento e água.

O museu exibirá arte africana contemporânea e histórica e celebrará as culturas da África Subsaariana. Além da própria arte, o ponto focal do edifício, o Bët-bi oferecerá um programa educacional com iniciativas para envolver comunidades locais e nacionais com objetos artísticos de todo o planeta.

O intuito da proposta comunitária é, sobretudo, fomentar as iniciativas globais voltadas ao retorno de objetos africanos à própria África Ocidental. Para isso, um espaço temporário será dedicado a objetos africanos repatriados, destacando o retorno da arte africana ao continente de sua criação.

E o Ateliê Masōmī não fica de fora dessa: o objetivo do espaço público e cultural de Kamara é transformar a instituição em uma contribuidora ativa no processo de artesanato local, garantindo a troca de conhecimento e experiências entre os participantes. 

“Abordamos este projeto através de uma retrospectiva do passado do local. Observamos de perto a história do Reino Saloum e ficamos absolutamente fascinados com sua origem, como um lugar fundado conjuntamente pelo povo Serer e pelo povo Mandinka. Estes últimos são historicamente também um povo do império do Mali que é conhecido por sua arquitetura monumental. Como museus e galerias são um produto de nosso passado mais recente, é importante para mim que o projeto sirva como um imperativo ousado para continuar o diálogo recente que repensa a tipologia a fim de explorar novas linguagens espaciais em torno dos museus”, comenta Mariam Issoufou Kamara.

A previsão de conclusão e abertura do Bët-bi é para o ano de 2025.

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