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Governo Federal quer transformar o Museu Nacional em centro dedicado à família imperial

O atual acervo do Museu Nacional seria levado para outra edificação anexa na propriedade (Foto: flaviozagri/Shutterstock)

Texto: Vinícius Veloso

05/04/2021 | 17:00 — De acordo com informações do jornal Folha de S. Paulo, circula no Governo Federal a ideia de transformar o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, em um centro dedicado à família imperial brasileira. A iniciativa é defendida por Ernesto Araújo, ex-ministro das Relações Exteriores, e outros entusiastas da monarquia. O grupo justifica que a mudança preservaria a memória histórica do país e criaria um ponto turístico na cidade. O acervo científico que hoje faz parte da coleção do museu seria levado para outra edificação anexa na propriedade.

O assunto teria sido abordado em reuniões organizadas por Araújo, que escalou uma equipe de auxiliares para acompanhar a reforma do edifício com a função de alterar sua finalidade. Ainda segundo o jornal, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Ministério do Turismo participaram das articulações junto ao Ministério da Educação — já que o museu é ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e tem papel importante em pesquisas das áreas de antropologia social, zoologia e botânica.

Críticas

A proposta foi alvo de críticas de carta aberta assinada por 25 entidades, como o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), a Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) e a Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas (ABAP). No documento, elas afirmam que a mudança seria uma transgressão ao objetivo original do prédio, inaugurado em 1818 por D. João VI e que “visava atender aos interesses de promoção cultural e científica do país”.

“O Museu é a mais antiga instituição científica brasileira, ocupando o Palácio São Cristóvão desde 1892. Nesse sentido, a intenção de transformar o edifício num centro turístico dedicado à família imperial, deslocando o acervo científico para um anexo da propriedade, desvirtuaria o lugar de relevância proposto por D. João VI na sua criação. Cabe ainda destacar o papel do Museu Imperial, em Petrópolis, como instituição federal já responsável pela preservação e divulgação do importante acervo do país relativo ao império brasileiro”, destaca a carta.

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