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Prefeitura de Duque de Caxias fecha com tijolos marquise do Teatro Raul Cortez

O espaço bloqueado fica abaixo da rampa de acesso ao centro cultural (Foto: Divulgação/Teatro Raul Cortez)

Texto: Vinícius Veloso

06/10/2021 | 17:27 — A Prefeitura de Duque de Caxias, município localizado na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, bloqueou com tijolos a marquise do Teatro Raul Cortez. O espaço, que fica abaixo da rampa de acesso ao centro cultural, era utilizado como abrigo por pessoas em situação de rua na Praça do Pacificador. De acordo com o jornal Extra, o poder público informou, por meio de nota, que a intervenção foi autorizada pela família de Oscar Niemeyer, arquiteto responsável pela obra. Entretanto, Paulo Sérgio Niemeyer, presidente do Instituto Niemeyer e coautor do projeto, assinou um pronunciamento que nega a permissão e critica a construção da barreira.

“Na última semana, fomos surpreendidos com a triste notícia de que o Teatro Raul Cortez, [...] estava recebendo uma obra que, além de descaracterizar sua fachada de forma inconcebível ao projeto original de Oscar Niemeyer, teria recebido a intervenção com motivação que fere o princípio de humanismo defendido pelo grande arquiteto e fundador deste Instituto”, diz a entidade, lembrando que: “nosso presidente (é importante destacar), não teve sequer conhecimento de que um ‘muro’ seria erguido para apartar a população em situação de rua, justamente num período tão delicado e de tantos desafios como o que enfrentamos no país”.

Defensoria Pública

Em ofício encaminhado à administração municipal, a Defensoria Pública do Rio de Janeiro solicitou esclarecimentos sobre a obra. O documento pede que a Prefeitura elucide o motivo da intervenção e que informe se há o devido licenciamento para execução do muro, com detalhes de orçamentos e cronogramas públicos transparentes. Além disso, recomenda a imediata demolição caso não existam o orçamento aprovado ou as autorizações necessárias.

Em resposta, a Prefeitura diz que o bloqueio visa revitalizar o espaço e que atende solicitação do Corpo de Bombeiros. O muro teria sido executado para abrigar um gerador que estava no interior do teatro, criando ruídos e prejuízos estéticos. O poder público também nega que a estrutura tenha objetivo de impossibilitar o abrigo de pessoas em situação de rua.

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