Dicas de como projetar obras no exterior

Escritórios contam sobre suas inspirações, desafios, adaptações e experiências enriquecedoras, além de dicas de como projetar obras no exterior
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Por Franck Boston/shutterstock

Atuar como
arquiteto em outro país não é uma tarefa fácil. A oportunidade de projetar no
exterior exige que o profissional se adapte a “novas culturas”, às demandas do
mercado e ao estilo de vida dos estrangeiros, trazendo experiências enriquecedoras.

Se você
busca por conhecimentos e dicas de como projetar obras no exterior, nosso
post é o “lugar” certo. Confira as experiências de escritórios – nacionais e
internacionais – que projetam para outros países.

Projetar
no exterior

Pensar em
novas referências e técnicas são características positivas de arquitetos que
concebem projetos para fora. “Não existe uma uniformidade. Cada país tem suas
particularidades – quanto aos aspectos técnicos e à relação entre cliente e
arquiteto. A experiência com outros países permite que o escritório faça uma
autoavaliação da sua atuação e entenda de que forma pode incorporar boas
práticas. Além de nos ajudar a entender como funciona o mercado fora do nosso
país [Brasil]”, conta Daniel Hopf Fernandes, arquiteto à frente do escritório Fernandes
Arquitetos Associados
.

Já segundo
a arquiteta Paula Caçador, Project Manager da Perkins&Will,
a diferença de projetar em outros países está nas condições físicas, culturais
e legais. “Participei de um projeto no Chile, onde tivemos a preocupação com o
terremoto – situação que não é comum no Brasil. Já nos Estados Unidos, houve atenção
com o clima frio e intenso, sem dizer que os métodos construtivos de
calafetação são diferentes dos brasileiros”.

Debora
Sayao, arquiteta do mesmo escritório, relata um episódio que chamou sua atenção
quando trabalhou em Atlanta, nos Estados Unidos. “Participei de dois projetos:
cultural e de uso misto. Em ambos, a dinâmica entre clientes e projetistas é
semelhante a do Brasil. A curiosidade foi no projeto de apartamento, pois um
dos quartos é chamado “den”, um espaço funcional e totalmente fechado,
que não possui janelas”.

Padrões
estrangeiros x desafios

Um projeto
arquitetônico internacional impõe preceitos técnicos, legais e culturais – aspectos
essenciais para o conhecimento do local e para atender às exigências dos
clientes.

“No
exterior, a aprovação de um projeto é bastante exigente – o nível de detalhe é quase
igual ao de um projeto executivo para iniciar o processo de aprovação. Existem
as questões culturais que são muito importantes e difíceis de serem assimiladas.
Por isso, é importante o trabalho em conjunto com parceiros locais”, sintetiza
Fernandes.

Arena
Cochabamba | Fernandes Arquitetos Associados

Divulgação
Fernandes Arquitetos Associados

O complexo
ganhou elementos e cores da identidade regional, na Bolívia. O projeto explorou
tons do arco-íris que compõem uma das bandeiras nacionais mais conhecidas dos tempos
antigos, a “Bandeira Whipala”, utilizada pelos Aymaras e Quechuas.

“É desafiador
encontrar empresas que tenham estrutura e interesse de atuar em outros países. Por
esse motivo, é muito importante criar uma rede de parceiros internacionais nas
diversas áreas, como estrutura, instalações etc.”, explica o arquiteto Daniel
Fernandes.

Soho Miami | Marlon Gama Arquitetura

Divulgação Marlon
Gama

O projeto
levou a tradição da culinária japonesa para Miami. Além disso, aproveitou as
similaridades da baía de South Beach com a Baía de Todos os Santos, em
Salvador, para criar o conceito
do restaurante
. “A inspiração foram os antigos estaleiros e o fundo do mar.
A grande novidade é que os visitantes podes chegar com o seu barco ao
restaurante, tendo ainda o Sunday Sunset Soho Bay (aos domingos)”, diz
Marlon Gama.

Canada
Earth Tower | Perkins&Will

Divulgação
Perkins&Will

Trata-se
de um dos prédios
“de madeira”
mais altos do mundo, localizado no Canadá. O empreendimento conta
com estrutura híbrida de concreto e madeira maciça ao longo de 120 m de altura.
Ademais, busca obter a certificação Passive House – conceito construtivo
de sustentabilidade –, pois seus recursos contribuem para a redução do consumo
de energia, tais como: janelas de vidro triplo, sistema de recuperação de calor
e aproveitamento da iluminação e ventilação naturais.

“Um grande
desafio é ter o profundo conhecimento sobre a legislação urbanística local e os
sistemas construtivos adequados”, conta Renato Siqueira, Project Architect da
Perkins&Will.

“Já na minha
experiência, a questão foi me adaptar ao sistema imperial. Existem diferenças
no design e até nos softwares – como o Rhino –, que podem ser explorados
de formas diferentes. É interessante aprender outras maneiras de trabalhar.
Acredito que essa é uma vantagem de fazer parte de um escritório global”, complementa
Debora Sayao.

Patina
Hotel Maldives | studio mk27


Divulgação
Pontiac (obra)

O studio
mk27
foi privilegiado com o projeto do Patina Hotel Maldives, um elegante
resort em Fari Islands, Maldivas. Além disso, os arquitetos cuidaram da ilha em
todos os seus detalhes – aspecto importante para o sucesso do projeto.

“Aplicamos
um pouco da nossa experiência com as maravilhosas praias tropicais do Brasil.
As vilas estão delicadamente imersas e cercadas pela vegetação numa elegante
discrição. A natureza fala mais alta que a arquitetura. Foi uma grande
experiência. Com certeza, nossa expertise em hotelaria já está influenciando
vários de nossos projetos”, conta a equipe do studio mk27.

Experiência
que enriquece

O
escritório Fernandes Arquitetos Associados teve, ainda, a honra de ser
convidado por uma das maiores construtoras do Qatar para participar da
concorrência de projetos para um dos estádios da Copa do Mundo de 2022. “Aprendemos
que o arquiteto tem uma posição de destaque dentro do processo. O cliente e os
demais envolvidos esperam da arquitetura uma liderança no processo. A relevância
que é dada às nossas opiniões e sugestões é algo que não vemos aqui no Brasil”,
explica Fernandes.

“A
experiência de trabalhar no exterior é sempre enriquecedora. Existe uma troca
de conhecimento, de visão de mundo e na forma de projetar. Vivenciar o dia a
dia numa cidade diferente, numa cultura diferente, é em si enriquecedor”, relata
Sayao.

Supervisão

Ao
considerar o contexto da pandemia da Covid-19, o período não é o mais propício para
fazer o acompanhamento de obras. Por isso, é fundamental uma equipe parceira
local para liderar os trabalhos junto ao escritório e cliente para que não surja
contratempos durante o processo.

“Para esse momento, nosso
acompanhamento é realizado por meio de reports do cliente ou da gerenciadora.
O mundo digital nos permite interagir constantemente com projetos, obras e visitas
periódicas por parcerias locais”, finaliza Siqueira.

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