Arquitetos desenvolvem método para controlar inundações no Paquistão

Segundo a BBC e a ONU, cerca de 33 milhões de paquistaneses foram afetados pelas inundações que já cobriram mais de um terço da superfície do país
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Mais de 500 mil casas foram destruídas ou severamente danificadas (Foto: Kiumars Eataa/Flickr)

Texto: Naíza Ximenes

13/09/2022 | 16:25 —  O Paquistão enfrenta uma adversidade climática responsável pela morte de mais de 1.400 pessoas: as enchentes causadas pelas chuvas de monções. Fruto do derretimento das geleiras nas montanhas ao norte do país e das mudanças de direções nos ventos sobre a região, as inundações — que cobrem mais de um terço da superfície paquistanesa — já afetam uma a cada sete pessoas (cerca de 33 milhões de habitantes), deixando a maioria delas desabrigada. 

Foi assim que surgiu a Heritage Foundation Pakistan, conduzida por Yasmeen Lari, a primeira mulher arquiteta do Paquistão. Ela criou um projeto de abrigos fáceis de construir, que acomoda pessoas desprotegidas e envolve a comunidade nesse processo, utilizando, principalmente, materiais locais e acessíveis, como bambu e junco.

De acordo com o levantamento realizado pela BBC, em parceria com a ONU, mais de 500 mil casas foram destruídas ou severamente danificadas; cerca de 700 mil cabeças de gado foram dizimadas; e 1,5 m de hectares de plantações foram atingidas.

As más notícias não param por aí: os especialistas também afirmaram que pode levar até seis meses para que as águas recuem nas áreas mais atingidas do país, à medida que aumentam os temores sobre a ameaça representada por doenças transmitidas pela água, incluindo cólera e dengue.

Com danos que, atualmente, devem totalizar mais de US$ 30 bilhões (o triplo da última estimativa, de US$ 10 bilhões), a região mais afetada é a de Sindh, que recebe 464% mais chuva do que a média de 30 anos até agora.

O fenômeno de grandes enchentes seguidas de longos períodos de seca foi batizado de monções, e acontece devido às altas variações de temperaturas. Elas podem ser ocasionadas por fatores naturais e artificiais, acompanhadas de desmatamento, e também são responsáveis pelo derretimento do gelo no Himalaia — a cadeira montanhosa mais alta do mundo.

Assim, depois de alguns esforços sem retornos muito significativos (como o rompimento do maior lago de água doce do Paquistão, o lago Manchar, que deslocou mais de 100 mil pessoas de seus lares), a organização de Yasmeen Lari colocou mais um projeto em prática. Com a criação de valas para captação e desvio de água da chuva em áreas alagadas, a equipe (que conta com o auxílio dos moradores) foi capaz de drenar parte das águas pluviais e amenizar as consequências. 

Utilizando uma abordagem de baixo custo, os participantes são treinados e coordenados por especialistas que guiam a coleta da água da chuva estagnada a 20 centímetros de profundidade. “Todas as ações incluirão a máxima participação das próprias famílias afetadas, fortalecendo suas capacidades e habilidades. Módulos de treinamento direcionados são de fato oferecidos para parceiros de implementação, voluntários, artesãos e comunidades. A estratégia também inclui a transferência de abrigos pré-fabricados de bambu que serão enviados diretamente às aldeias e compostos in loco pela comunidade”, contou Lari.

As inundações são um dos riscos naturais mais comuns, representando aproximadamente 43% dos eventos de risco de 1995 a 2015, de acordo com o C40 Knowledge Hub. As alterações climáticas agravam os efeitos deste tipo de desastre natural, pois algumas estimativas mostram que o número de pessoas afetadas pode duplicar até 2030 em relação a 2010. As áreas urbanas são geralmente vulneráveis devido à sua proximidade aos rios e à má gestão da água em espaços urbanos.

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