Alemanha inaugura frota de trens movidos a hidrogênio

A linha ferroviária que funciona 100% a hidrogênio fica na cidade de Bremervörde, perto de Hamburgo
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Além da Alemanha, a Alstom firmou contratos para fornecer trens a hidrogênio na França e na Itália (Foto: Alstom/Divulgação)

Texto: Naíza Ximenes

23/09/2022 | 16:02 — A Alemanha inaugurou, neste mês, a primeira linha ferroviária movida 100% a hidrogênio no mundo. Com 14 veículos, a frota substituirá as locomotivas a diesel na cidade de Bremervörde, perto de Hamburgo, em quase 100 quilômetros de linha. Os trens também percorrerão as cidades de Cuxhaven, Bremerhaven e Buxtehude.

Os trens Coradia iLint, como foram batizados, passaram pelos primeiros testes ainda em 2018. Movidos a uma célula de combustível de hidrogênio — que gera energia elétrica para propulsão ao converter hidrogênio armazenado a bordo e oxigênio presente no ar, é 100% livre de emissões, silencioso e emite apenas vapor de água e condensação —, eles vêm sendo desenvolvidos há anos pela empresa francesa Alstom. 

A previsão era de que a frota fosse anunciada ainda em 2021, mas, devido à pandemia, a operação só entrou em prática em agosto deste ano. Ainda assim, apesar de atrasado, o lançamento representou um marco na tecnologia sustentável no planeta. Isso porque a iniciativa conquistou o Prêmio Alemão de Design de Sustentabilidade de 2022, que reconheceu soluções técnicas e sociais particularmente eficazes. Para concorrer, os projetos deviam impulsionar a transformação em termos de produtos, produção, consumo, ou estilo de vida sustentáveis, alinhados com a Agenda 2030 das Nações Unidas.

Em relação à parte mais técnica do trem, a Alstom contou que, além de eliminar a geração de poluentes, os novos trens possuem autonomia de mil quilômetros — fazendo necessário um único reabastecimento por dia, possivelmente na cidade de Bremervörde, que possui uma instalação de hidrogênio verde —, baixo nível de ruído (que proporciona mais silêncio para as redondezas) e ar mais limpo. 

Como o hidrogênio requer menos infraestrutura, ele se torna um combustível muito considerado pelas administradoras das linhas ferroviárias — em especial, ao levar em conta o crescimento do volume de instalações de hidrogênio e a amenização da geração de CO2 em 4.400 toneladas por ano. O empecilho fica por conta do valor aquisitivo necessário para a compra dos trens — somente na frota inaugurada pela Alstom, foram 93 milhões de euros investidos. 

Além da Alemanha, a Alstom firmou contratos para fornecer trens a hidrogênio na França e na Itália. Segundo a empresa, o Coradia iLint foi também testado com sucesso em outros países, como Áustria, Holanda, Polônia e Suécia.

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