Prêmio Aga Khan para Arquitetura 2022 anuncia os vencedores

São seis projetos vencedores, entre os quais está a proposta de renovação da Hospedaria Niemeyer, no Líbano
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O processo de seleção destaca a arquitetura que não atende a necessidades físicas, sociais e econômicas das populações, mas que sejam igualmente estimulantes e respondam às expetativas culturais (Foto: Prêmio Aga Khan/Divulgação)

Texto: Naíza Ximenes

26/09/2022 | 17:01 — O Prêmio Aga Khan para a Arquitetura (AKAA) anunciou os seis projetos vencedores da edição de 2022. Entre eles, está a proposta de renovação da Hospedaria Niemeyer, no Líbano. A premiação identifica e encoraja conceitos de construção que contribuam, de alguma forma, com as necessidades e aspirações de comunidades com a presença de muçulmanos.

O motivo pelo qual a premiação é restrita a iniciativas que contribuam com a população muçulmana é a sua idealização. Inaugurado em 1977, o concurso foi criado por Sua Alteza o Aga Khan, 49º Imam hereditário dos muçulmanos ismailis — uma liderança espiritual para a comunidade, que optou por limitar o leque de participantes no concurso. Ele também determinou que as propostas deveriam retratar o compromisso com comunidades, inovação e cuidado com o ambiente.

Assim, o processo de seleção destaca a arquitetura que não atende a necessidades físicas, sociais e econômicas das populações, mas que sejam igualmente estimulantes e respondam às expetativas culturais. Hoje, a competição oferece como recompensa a quantia de um milhão de dólares, que será dividido entre os seis vencedores deste ano. 

Em 2022 — ano em que a premiação comemora o 45º aniversário como uma das agremiações mais importantes da arquitetura —, o júri selecionou 20 projetos finalistas entre 463 propostas. Só depois de avaliar, presencialmente, os projetos finalistas é que divulgou quais seriam os vencedores. Eles serão anunciados em Mascate, no Sultanato de Omã, em uma cerimônia que, de acordo com a tradição, será realizada em local de importância arquitetônica e cultural para o mundo muçulmano.

Os vencedores são:

Espaços Fluviais Urbanos, em Bangladesh, criado por Co-Creation.Architects

Menção do Júri: “Através de uma participação e apropriação consistentes por parte da comunidade, do amplo envolvimento das mulheres e de grupos marginalizados e de uma mão de obra local, a tarefa aparentemente simples de limpar o acesso ao rio Nabaganga em Jhenaidah deu origem a um projeto de paisagismo criterioso e minimalista feito com materiais e técnicas de construção locais, transformando assim uma lixeira informal degradada num espaço multifuncional atraente e acessível que é valorizado pelas diversas comunidades de Jhenaidah. Como tal, o projeto conseguiu reverter a degradação ecológica e os riscos para a saúde do rio e das suas margens, e estimular uma melhoria ecológica efetiva do rio, num dos países com mais área ribeirinha no planeta.”

 

 (Foto: Prêmio Aga Khan/Divulgação)

Espaços Comunitários nos Centros de Refugiados Rohingya, em Bangladesh, criado por Saad Ben Mostafa, Rizvi Hassan e Khwaja Fatmi

Menção do Júri: “Os seis espaços comunitários temporários do Programa de Resposta aos Refugiados Rohingya dão uma resposta digna, sensível e engenhosa às necessidades de emergência relacionadas com a chegada massiva de refugiados rohingya às comunidades anfitriãs do Bangladesh, com especial atenção à segurança de mulheres e raparigas. O conceito e o design dos seis espaços são o resultado de um planeamento adequado, parcerias sólidas e processos inclusivos que envolvem as comunidades distintas de refugiados e habitantes locais, como a definição das necessidades de espaço e funcionalidade.”

 

 (Foto: Prêmio Aga Khan/Divulgação)

Aeroporto Internacional de Banyuwangi, na Indonésia, criado por Andra Matin

Menção do Júri: “Surgindo de um mar de arrozais, o edifício prolonga a linguagem da paisagem, formando um evento concentrado que combina arquitetura, funcionalidade e ambiente numa disposição homogênea, mas discernível. O Aeroporto Internacional de Banyuwangi, moderno e eficiente em todos os aspetos, mas enquadrado no seu contexto, pode revelar-se revolucionário ao nível da arquitetura aeroportuária, especialmente tendo em conta que o governo indonésio deverá construir cerca de 300 aeroportos num futuro próximo.”

 

 (Foto: Prêmio Aga Khan/Divulgação)

Museu de Arte Contemporânea e Centro Cultural Argo, no Irã, criado por Ahmadreza Schricker Architecture North

Menção do Júri: “No densamente povoado centro histórico de Teerão, este projeto atípico de reutilização e conservação transformou a Fábrica Argo – uma antiga cervejaria cujas atividades foram deslocalizadas para fora da cidade dez anos antes da Revolução Iraniana devido à poluição – num museu privado de arte contemporânea. A partir das ruínas do edifício original, a atual cervejaria foi renovada e foram construídas novas superfícies com uma abordagem e um design sutis. Foram desenvolvidos, em quatro níveis, uma variedade de espaços para exposições, palestras e filmes, com uma nova residência de artistas a ser construída ao lado do museu.”

 

 (Foto: Prêmio Aga Khan/Divulgação)

Renovação da Hospedaria Niemeyer, no Líbano, criado por East Architecture Studio

Menção do Júri: “A renovação da Hospedaria Niemeyer é um exemplo inspirador da capacidade de reparação da arquitetura, numa altura de crise vertiginosa e envolvente em todo o mundo, e no Líbano em particular, dado que o país enfrenta um colapso político, socioeconómico e ambiental sem precedentes. A obra de reabilitação da Hospedaria, localizada nos arredores de Trípoli – uma das mais antigas e belas cidades portuárias, outrora conhecida pela sua arte, mas hoje em dia assolada por uma pobreza extrema, pela migração e pela falta de espaços públicos –, faz parte da Feira Internacional Rachid Karami (RKIF), a obra-prima inacabada do arquiteto Oscar Niemeyer.”

 

 (Foto: Prêmio Aga Khan/Divulgação)

Escola Secundária de Kamanar, no Senegal, criado por Dawoffice

Menção do Júri: “A Escola Secundária de Kamanar, um polo escolar repleto de infraestruturas, edifícios, paisagens e acessórios, é única no sentido em que aborda as múltiplas escalas do urbanismo, paisagismo, arquitetura e tecnologias de construção com o mesmo compromisso e virtuosismo. A topografia e a flora do local foram as principais condicionantes encontradas neste projeto, levando à introdução de uma grelha de módulos de salas de aulas organizadas em volta das copas de árvores preexistentes, adotando as suas sombras como espaços sociais para alunos e professores.”

 

 (Foto: Prêmio Aga Khan/Divulgação)

Para conferir mais detalhes sobre a premiação, clique aqui.

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