Projeto Casa Eco Pantaneira! reúne arquitetos em Ladário, MS

A iniciativa é do Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas do Estado do Mato Grosso do Sul (Sindarq-MS)
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De início, cerca de 27 famílias da região devem ser atendidas (Foto: Andre Maceira/Shutterstock)

Texto: Naíza Ximenes

10/02/2023 | 16:30 — O Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas do Estado do Mato Grosso do Sul (Sindarq-MS) está convocando profissionais de todo o Brasil para participarem do Projeto Casa Eco Pantaneira! — uma iniciativa com o propósito de construir moradias sustentáveis na comunidade de Baía Negra, em Ladário, no Mato Grosso do Sul.

Os interessados terão até o dia 15 de fevereiro para se inscreverem. O edital prevê que, depois de um reconhecimento do local, entre os meses de fevereiro e março, os arquitetos desenvolvam projetos em parceria com a população ribeirinha da região, considerando as condições climáticas da região do Pantanal e utilizando técnicas como o esgoto biodegradável, para que se mantenha a preservação natural e geográfica da comunidade.

As propostas devem incluir residências mais resistentes, que se adaptem às épocas de secas e enchentes e mantenham as condições de área de preservação. Além disso, todos os processos devem incluir princípios da autoconstrução, que serão ensinados aos mato-grossenses. 

“Com a construção das novas casas, reformas ou ampliações, queremos envolver toda a comunidade no projeto. Através de oficinas e da discussão da autoconstrução, o objetivo é transformar a região em um multiplicador e uma vitrine para o que a arquitetura é capaz de realizar” explica a presidente do Sindarq-MS, Iva Carpes.

De início, cerca de 27 famílias da região devem ser atendidas. O objetivo é trazer maior conforto e dignidade para os beneficiados, além de incrementar a economia local através de infraestrutura e condições de comércio e turismo. 

As áreas pantaneiras enfrentam a degradação há décadas, em um processo ainda mais intensificado desde 2018. Isso acontece não apenas por conta das épocas de chuvas, mas pelas queimadas que também atingiram a região em 2020. Só no MS, mais de 1,7 milhão de hectares viraram cinzas. A área de Baía Negra, a primeira comunidade que deve receber o projeto, é uma unidade de conservação de uso sustentável e representa um desafio aos profissionais. Hoje, é considerada uma Área de Proteção Ambiental (APA) e é gerida pela Fundação de Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural de Ladário (MS).

A ONG Ecoa, que atua no Pantanal há mais de 30 anos, reafirma a importância do projeto. De acordo com o diretor presidente da instituição, André Luiz Siqueira, antes da Baía Negra se tornar uma unidade de conversação, toda a área era impedida de realizar intervenções e melhorias nas moradias locais. A demora gerou uma precarização e um impacto da comunidade no ecossistema pantaneiro.

Impulsionada pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR), a iniciativa é fruto da parceria entre a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (FAU-UFMS), a ONG Ecoa e a Secretaria do Patrimônio da União (SPU/MS).

A comunidade fica à beira do Rio Paraguai e possui quase seis mil hectares de vastidão ecossistêmica. Foi criada pelo decreto 1.735, em 2010, como uma demanda do Ministério Público Federal em parceria com a Secretaria do Patrimônio da União, para manter as famílias que necessitavam da área em prol da sobrevivência. 

A APA permite que a comunidade faça uso dos recursos naturais de forma sustentável e ordenando o uso do solo. Baía Negra é também a primeira unidade de conversação de uso sustentável do Pantanal e possui um conselho gestor próprio e deliberativo, pensando no bem-estar da comunidade e da região.

Para conferir o edital e se inscrever, clique aqui. 

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